A Revoada dos Galinhas-Verdes II

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Encorajados pelos comentários homofóbicos e racistas vomitados pelo deputado estadual Jair Bolsonaro (PP-RJ) nos últimos dias, um grupo de nazifascistas se organizou para protestar a favor do deputado e do direito à “liberdade de expressão”.Lembrando que agredir (verbalmente e fisicamente), incentivar o ódio e a intolerância, não pode ser confundido com liberdade de expressão.

O ato vergonhoso aconteceu na manhã do último dia 09, no vão do MASP, cidade de São Paulo. Segundo as autoridades o ato não foi impedido porque “não extrapola o limite da manifestação de expressão”, já que a homofobia não é crime no país. Porém estava claro que era uma manifestação de apoio à violência, uma vez que os grupos participantes já foram mais de uma vez responsabilizados por agressões contra homossexuais, inclusive por casos envolvendo assassinatos.

Para denunciar o caráter claramente fascista da manifestação, estudantes, trabalhadores ligados à luta sindical, pessoas ligadas à luta contra a homofobia, membros do movimento negro, feministas, anarquistas, comunistas, punks e skins, também se dirigiram ao MASP no sábado a partir das 10 horas da manhã.

O grupo dos nazifascistas, que por volta das 10h30 da manhã não passava de cinco “galinhas-verdes”, alcançou por volta do meio dia o vergonhoso número de pouco mais de vinte pessoas. A composição da manifestação pró-homofobia merece uma atenção especial: grupos como Carecas do Subúrbio e Ultra Defesa, fascistas que se dizem contra o racismo e a xenofobia, se aliaram aos assumidamente adoradores de Hitler, para juntos gritarem palavras de ódio aos homossexuais. Novamente vale ressaltar: Carecas do Subúrbio, aliados à grupos nazistas como Kombat RAC.

Ainda a respeito desta união dos fascistas “não racistas” (sic) com os nazistas, o mais “espantoso” era ver que nesse meio havia negros e nordestinos: um dos integrantes declarou ser maranhense ao falar no megafone (acreditamos que tentando justificar não ser xenófobo), porém não se preocupou nenhum pouco em estar lado a lado com aqueles que defendem o “Poder Paulista”, com idéias imbecis como a de que o estado de São Paulo é a locomotiva do país, que deliram ao ponto de querer a separação do estado do resto do país, já que segundo essas ideias separatistas, as regiões norte e nordeste “vivem às custas de São Paulo”. Mas… e o camarada lá do Maranhão que citamos, como fica com esse separatismo? Sem falar que na parte nazista do grupo o que víamos eram verdadeiros WP´s: White Pardos.

Resumindo a série de contradições: negros, nordestinos, mulheres (sim, havia mulheres, deixamos para o próximo parágrafo os comentário a respeito), “trabalhadores”, usuários de trem lotado (o mesmo que gritou no megafone que era do Maranhão, também deixou claro que era do subúrbio e “pegava” trem lotado toda manhã), moradores de periferia (ou se preferir, “subúrbio”), explorados, enfim, todos os pertencentes às classes mais exploradas e discriminadas, reunidos para DISCRIMINAR, lado a lado com gente que adoraria enviá-los a uma câmara de gás.

Nós do coletivo RASH-SP estivemos lá durante toda a manhã, denunciando o ato fascista com gritos de liberdade contra a ditadura, o racismo e a homofobia, do início da manifestação até a hora que o último verme rastejou pra longe daquelas bandas, e em todo esse tempo percebemos a presença de apenas quatro mulheres no total. Fato que exibe o quanto são machistas.

Além do machismo, a contradição na composição: mulheres apoiando o preconceito e a violência contra a diversidade sexual, ao lado de grupos sexistas. Justamente as mulheres, que são vistas como inferiores aos homens pela sociedade machista, sociedade onde os atores principais são sempre os homens, elas entram – quando entram – como um complemento, ficam – quando muito – como um objeto de decoração, ou seja, ocupam um papel subalterno: como reprodutoras, mucamas e objeto sexual.

Como esperado de um grupo desse tipo, a falta de argumentos e racionalidade imperou nos cartazes e gritos dos “cabeças ocas”, que além de “defenderem” a família do deputado Bolsonaro (que segundo eles foi prejudicada com a exposição do “chefe” de família), pediam  extradição de Cesare Battisti e até “prestavam homenagem” às vítimas do massacre em Realengo, ainda que com erros de português. Quando abriam a boca, nada “melhor” saía, além de ofensas.

O ambiente estava cercado de policiais militares, ainda assim, os fachos não se intimidaram e as ameaças (até a alguns fotógrafos) corriam soltas a todo o momento. Por volta das 13 horas a polícia levou cerca de oito fascistas para “averiguação”, que como noticiado, sob a suspeita de já terem participado de crimes de violência no passado.

O grupo que numerosamente era menor, se desfez com a retirada desses para averiguação, encerrando o ato fascista.

Com o título desse post, relembramos o ato histórico ocorrido em 7 de outubro de 1934 na Praça da Sé em São Paulo, onde comunistas, anarquistas e sindicalistas, organizados em uma frente única antifascista, se posicionaram contra a marcha organizada pelos integralistas (dirigida por Plínio Salgado). A frente antifascista colocou os integralistas com seus uniformes verdes para correr.

Na contramanifestação deste último sábado como já foi dito, estavam reunidos indivíduos e grupos antifascistas dos mais variados, porém sentimos a falta de representantes de diversos setores das lutas sociais, como também dos partidos que são contra o racismo e a homofobia. Se quando os fascistas começaram a se reunir, a contramanifestação tivesse 1% das pessoas que se reúnem no 1º de Maio, por exemplo, o ato fascista não chegaria onde chegou. O fato mais importante é: não podemos deixar que outra manifestação como essa, “baseada” em “liberdade de expressão” volte a acontecer.

É com discursos como esses que a parcela preconceituosa da sociedade busca espalhar seu ódio e impor a intolerância. Um político como Bolsonaro, vomitar tudo o que ele vomitou e ainda assim sair impune, faz com que cada vez mais os fascistas criem coragem para se manifestar.

A atuação da mídia

A mídia presente mostrou pra que serve: noticiar o que traz mais audiência (IBOPE), uns até mostraram clara posição favorável aos fascistas ao noticiarem os fatos. O certo é que os veículos de comunicação de “maior expressão” pouco circulavam do lado dos que gritavam contra a ditadura e a homofobia por exemplo.
Um bom exemplo do comportamento da mídia em questões como essa, foi o programa exibido ontem no SBT, que abriu espaço para os “Carecas” falarem tranquilamente que o ódio pelos homossexuais é mortal, que a homossexualidade é um doença, que espalha a AIDS e que acaba com a instituição da família. O discurso mais comum entre qualquer desinformado, que sem ter argumentação alguma, se apega até a religião.Nesse mesmo programa, Leão Lobo estava incumbido da tarefa de representar a classe dos homossexuais, como se ele, homossexual branco e de classe média, estivesse sujeito aos mesmos preconceitos e violência que sofre um homossexual de periferia.


A mídia faz isso, sem se preocupar em contribuir com a difusão das ideias mais absurdas e violentas desses grupos, sem se preocupar que com isso, estão contribuindo para a propagação da violência contra o ser humano.
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0 Responses to A Revoada dos Galinhas-Verdes II

  1. Vidiball Oi! says:

    Caraleo! São tantas as contribuições nesse relato que as vzs me perco ao escrever minha opinião! São vários pontos positivos como a nossa (RASH, ANTIFACHOS, ESQUERDISTAS, ANTI RACISTAS, ANTI MACHISTAS, ANTI HOMOFÓBICOS, ETC) presença no ato, é preocupante ver a presença dessas coisas que vcs citaram no texto, é inadmissível a presença de pessoas como Bolsonaro representando o povo e toda sua grandeza quanto a cultura, etnias, opção sexual, etc. Quanto a mídia… Tem alguns programas q não deviam existir, eles escolhem alguns temas e colocam alguns vermes para participar por fazer dinheiro com o ibope e com a audiência diante das polêmicas.Galera força pra vcs e para nós! Seguimos em frente!

  2. Cabral says:

    Os fascismos, de uma maneira geral, pregam a anti-modernidade, que significa a perda de direitos democráticos conquistados, a volta de modelos de Estados da Antigüidade, como Esparta e Roma, a volta da predominância da religião na sociedade (como, por exemplo, é o integralismo, em que a sua doutrina é de base católica), a volta da cidadania baseada no sangue e no solo e não com base em leis racionais, e, enfim, outros conceitos de cunho irracional.Não sou comunista nem anarquista (já fui!), mas como cidadãos devemos combater essa praga que são as religiões, os diversos tipos de fascismos, etc. Independentemente de nossas trincheiras ideológicas, nós somos irmãos e, portanto, não há motivos para a discriminação ou coisa que o valha. Somos todos compatriotas de um mesmo Universo infinito.

  3. Alessandro says:

    Perfeito!Luta AntiFascista Sempre!

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