QUEM COLABORA COM OS GRUPOS DE ÓDIO?

Não é de hoje que o Facebook – vulgo Fascibook – vem assumindo uma postura ultraconservadora, deletando postagens e perfis feministas, antirracistas e antifascistas, enquanto páginas como “orgulho de ser hétero”, ou “orgulho de ser branco” são blindadas pelos funcionários da empresa. Dificilmente postagens racistas, homo/transfóbicas ou misóginas, quando denunciadas, são deletadas.

No último final de semana nossa página no fb teve uma postagem denunciada e deletada, e a moderação da rede social veio exigir que a RASH-SP “confirmasse sua identidade”. Mas, afinal, que postagem teria sido essa que nos transformou em mais uma vítima da polícia Fascibook? Bom, simplesmente denunciávamos duas fotos que um tatuador de Uberlândia, Minas Gerais, havia postado em seu próprio perfil, exibindo suas habilidades profissionais. E quais eram essas “obras primas” feitas por ele? De sua vasta produção de imagens misóginas e sexistas, selecionamos uma em que Dilma aparece diante de um pênis, insinuando sexo oral e – a que revela a ideologia por trás de tanto preconceito transformado em desenhos – um enorme soldado da SS nazista.

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É óbvio que não apoiamos a onda neoliberal de Dilma & Joaquim Levy, mas o tatuador mineiro revela o caráter fascista da chamada “oposição de direita” e da patota senso comum que lhe dá respaldo. Não há crítica política (seria exigir demais dos poucos neurônios que ainda funcionam nos cérebros desta turma reaça), Dilma é atacada por ser mulher. Inclusive é isso que revela o “brilhante” comentário de um dos amigos bacaninhas do tatuador a respeito de uma outra de suas tattoos sexistas: “só falta ser a dilma”.

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Nossa postagem censurada, publicada na madrugada de sábado e que alcançou mais de 70 mil pessoas segundo o contador do fachobook, inicialmente recebeu muitos comentários que criticavam a atitude misógina e pró-nazi do tatuador. Mas a partir de determinado momento, a tropa de choque virtual coxinha se mobilizou e começaram a chover comentários em apoio ao “artista”. E todos comentários “geniais” como de costume: ele não deveria recusar o trabalho, que o culpado era o nazi que o procurou (mas isso só no caso da tatuagem SS, porque a da Dilma, todos adoraram). Um tatuador disse que faria aquela tatuagem da Dilma até de graça, enquanto outro argumentou que não via problema em fazer um soldado nazista, já que clientes lhe pedem tattoos “com diversos símbolos, como o do infinito, por exemplo” (Felizmente, pra salvar a imagem da categoria, teve tatuador que comentou que se aparecesse um indivíduo pedindo para fazer esses desenhos, sairia do estúdio na base da porrada).

O tatuador de Uberlândia se justifica – somente em relação à tattoo nazi, a da Dilma não merece nem justificativa, já que ofender e humilhar mulheres é prática corriqueira e natural – dizendo que não tem “vínculo com nenhum tipo de ideologia política”, que seu único compromisso era com “o traço grosso e a aplicação bem feita”. Perfeito! É exatamente a justificativa que foi dada pelos criminosos de guerra nazis quando levados a julgamento: só cumpriam ordens. É o que Eichmann explicava ao mundo durante seu julgamento, tão bem descrito e analisado por Hannah Arendt: o trabalho que deve ser feito, deve ser bem feito, não importam as implicações éticas e morais deste.

A arte, inclusive a tatuagem, nunca é inocente e imparcial. O tatuador em questão sabia bem o que estava fazendo, sabia que seu trabalho nazista não era só mais um desenho old school e que seu cliente – que provavelmente é seu amigo, já que sentiu-se à vontade para contratar seus serviços para uma tatuagem tão comprometedora – era um nazista, que odeia judeus, pessoas negras e não-heterossexuais, mas mesmo assim optou por fazer e ainda divulgar orgulhosamente na rede social.

O tatuador de Uberlândia é só mais um dos muitos de uma geração que cresceu curtindo a patota protofascista que nos últimos 10 anos abunda na grande mídia. O racismo, a homofobia e misoginia dos rogers e danilos gentilis da vida alimentam o imaginário senso comum que hoje se revela nos cada vez mais frequentes ataques racistas, homofóbicos e misóginos. O motivo de ocuparmos este todo este espaço falando sobre uma figura medíocre, um protofascista provinviano, é que este é um caso bastante revelador, um exemplo concreto do que há anos estamos falando aqui: as gangues nazifascistas só se sentem livres para cometer seus crimes nas ruas porque existe toda uma rede de “pessoas de bem” que lhes dão suporte.

E pra finalizar, não podemos esquecer as atitudes fascistas e moralistas do fascibook, que censura mamilos femininos e mães amamentando e faz vista grossa para perfis e páginas de ódio. Nos últimos dias, o perfil de uma feminista negra que denunciava o racismo foi suspenso. Páginas feministas sofreram denúncias em massa e foram derrubadas. Sugerimos às pessoas que saiam dessa rede social – na verdade um panóptico gigantesco no qual se entra voluntariamente para alimentar de forma incessante os bancos de dados da empresa e de órgãos de segurança com dados pessoais – e utilizem a militância digital em espaços livres ou que pelo menos juntxs criemos estratégias para subverter essa ferramenta fascista.

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