ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE AS JORNADAS DE JUNHO

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Como prevíamos no texto que lançamos horas antes da grande manifestação de 17 de junho, a súbita mudança de posição da imprensa burguesa em relação aos protestos levou às ruas reaças de todos os tipos. Dias antes, na manifestação do dia 13, quando a PM chegou com sangue nos olhos graças à carta branca dada por Alckmin & Haddad & toda a “grande imprensa” que pedia tolerância zero contra os vândalos, grupos de boys semi-hippies apareceram não se sabe de onde para oferecer flores e abraços à tropa de choque, pedindo “paz” e “não violência”, na contra-mão da postura combativa dxs que haviam levado a luta até então. Porém, o que se viu naquela segunda-feira, 17 de junho, na marcha que partiu do Largo da Batata foi algo realmente bizarro: na multidão que compareceu em apoio à[o]s manifestantes estavam famílias inteiras da classe média branca conservadora, enroladas em bandeiras do Brasil, muitas delas levando cartazes com dizeres racistas, machistas e homofóbicos. “Aborto não, golpe militar sim” era a tônica desses grupos que se infiltravam da forma mais oportunista no movimento, depois de mais de dez anos tentando sem sucesso mobilizar a população com sua agenda golpista. E nada mais natural que essa gente linda da Avenida Faria Lima, jardins & adjacências levasse com ela às ruas sua própria tropa de choque, formada por quadrilheiros nazifascistas das diversas gangues da cidade, que a partir daquele 17 de junho tornaram-se também presença frequente nas manifestações.

E a sequência dos acontecimentos, ainda bem viva na memória de todxs: mais uma manifestação na terça-feira, 18 de junho (desta vez com uma presença menor de famílias ricas, já que o ato ocorreu no centro velho da cidade, mas ainda com muitos coxinhas) e a vitória, com o anúncio da redução das tarifas de ônibus e metrô no final da tarde da quarta-feira, 19 de junho.

E então veio o ato-comemoração da vitória na Avenida Paulista, convocado pelo MPL para a noite de 20 de junho. Os fatos lamentáveis ocorridos naquela noite são de conhecimento de todxs, foram bastante divulgados e colaboraram para que se deixasse de convocar mobilizações na região central da cidade. O que ainda temos a dizer a respeito é que os fatos demonstraram o que há tempos estamos dizendo aqui: os pilantras nazifascistas não são monstros antissociais, mas os bons filhos dos bons cidadãos de São Paulo, defensores da moral e dos bons costumes, fieis vassalos do capital. Não é à toa que os fascistas eram aplaudidos pela classe mérdia carapintada enquanto atacavam mulheres idosas de organizações populares na avenida Paulista. E, ao fundo, o prédio da Fiesp brilhava nas cores da bandeira nacional em apoio “aos protestos”. Mais tarde os telejornais comemorariam as agressões à esquerda como uma justa reação da população e – o que é bastante significativo – os ganguistas fascistas em momento algum foram incluídos na categoria de “vândalos”. Também não é por acaso que a segurança nas manifestações dos médicos nos últimos dias tem sido feita por ganguistas nazis. É a direita liberal que está alimentando o fascismo.

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Enquanto diversos grupos e pessoas tentavam se articular para fazer frente à infiltração da ultra-direita nas manifestações, alguns partidos “do campo popular” assumiram atitudes realmente surpreendentes. Cada vez mais empolgados com a possibilidade de abocanhar militantes de base e eleitores do PT, tornando-se uma força hegemônica na esquerda parlamentar, esses partidos simplesmente criaram uma realidade bastante particular, que de forma alguma correspondia ao que se passava nas ruas. O raciocínio parecia ser o seguinte: “vivemos o início da revolução no país, a Primavera Brasileira, e as ruas estão tomadas por pessoas que querem mudanças revolucionárias. Portanto, nem a direita, muito menos a ultra-direita, tem espaço nas mobilizações. Logo, os ataques às organizações de esquerda durante os protestos partiram… dxs anarquistas!”. Sabemos que não faltaram anarcobobos que, como chegamos a testemunhar, não pensaram duas vezes antes de juntar-se aos gritos de “sem partido” puxados pela burguesia carapintada, mas era mais que óbvio que as agressões, em especial o bem planejado ataque à coluna da esquerda no dia 20 de junho, partiram de grupos fascistas organizados, com o apoio da classe mérdia coxinha. Mais tarde, diante do mal estar provocado, essa acusação à[o]s anarquistas foi revista pelo grupo que a havia feito, sem que, no entanto a direita e suas gangues fossem acusadas com a mesma ênfase.

Consideramos bastante preocupante que organizações que se imaginam “vanguarda da Revolução” e “da classe trabalhadora” fechem os olhos para a presença fascista nas ruas da cidade. Estas organizações deveriam sentir-se na obrigação de colocar sua militância na rua para enfrentar o fascismo ganguista. Mas parece que a ânsia pelo poder as torna cegas. Por outro lado, muitas organizações autônomas das periferias desde o primeiro momento se mobilizaram para reagir contra a infiltração coxinho-fascista.

Há alguns anos as gangues nazifascistas da cidade vêm tentando se apresentar publicamente como portadoras de reivindicações políticas legítimas e nessa empreitada a direita parlamentar lhes garante um bom suporte – basta lembrar que uma das primeiras aparições públicas das gangues nazis como “cidadãos indignados” ocorreu na micromanifestação racista e homofóbica em apoio a Jair Bolsonaro, em 2011. Então tentaram, junto com seus patrões coxinhas, se apropriar das jornadas de junho e hoje engrossam toda e qualquer manifestação cuja tônica seja o preconceito, a defesa de privilégios e a oposição aos interesses do povo pobre, como são as dos médicos, das quais têm participado com entusiasmo. E, entre uma manifestação e outra, continuam promovendo agressões nas ruas.

A RASH-SP & aliadxs não deixamos as ruas um só momento em todo esse período. Continuaremos na luta, tecendo alianças e enfrentando o ganguismo nazifascista, que nada mais é que uma manifestação deste sistema que nos oprime a todxs. E que será derrubado.

NUNCA DORMIMOS, NEM DORMIREMOS! SOMOS MUITXS, SOMOS TODXS!

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One Response to ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE AS JORNADAS DE JUNHO

  1. killimanjaro says:

    VIDA LONGA!

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